Capítulo #17: O certo é os fracos serem dominados

Galopando em velocidade máxima, os Kent estavam gritando de excitação.

Eles amavam pilhar. Até roubar pequenas coisas os deixava alegres. A natureza deles tomar as coisas dos outros, satisfazer esse instinto era como satisfazer outros da natureza humana, trazendo êxtase.

Falcatrua ou violência também funcionava igual, todavia, a palavra "roubo" já estava nos ossos deles.

Os guardas Cauchy já tinham percebido a aproximação da tribo Kent de longe, imediatamente mandaram pessoas de volta ao vilarejo enquanto preparavam armadilhas no caminho, tentando resistir aos bandidos.

Porém, honestamente, essa defesa estava muito fraca. Uma grande parte de suas forças já tinha sido designada para a procura de corvos.

Os bandidos berraram de felicidade, eles não se incomodavam de oprimir os fracos, na verdade, ficariam até mais motivados. Apenas uma retaliação e resistência intensa iria aumentar despertar o respeito deles e fazê-los se conterem durante o roubo.

O atual vilarejo Cauchy não tinha a habilidade para resistir, então o sangue ladrão deles estava fervendo de emoção. Se permitissem que atacassem livremente como há alguns anos, a catástrofe do vilarejo ser queimado provavelmente se repetiria.

Os Kent perseguiram loucamente os guardas que estavam fugindo. Enquanto atiravam flechas, desviavam com agilidade das armadilhas praticamente inúteis e riam da fuga dos Cauchy.

No último ano, os Cauchy usaram essas armadilhas e vários outros métodos para retaliar e impedir o avanço dos Kent.

Claro, naquela vez, a guarda parecia mais um bando de cuidadores de urso ou servos de um tirano. Contra os ataques da tribo Kent, não havia a possibilidade de não revidar, porque fazer isso só faria o sangue dos Kent ferver mais ainda.

Ao mesmo tempo, não podiam revidar demais. Isso causaria muitas fatalidades aos bandidos e os enfureceria, eles ignorariam o principio de preservação ao longo prazo. Alguns aldeões já tinham sido destruídos pelos Kent por raiva e vingança, porque conseguiram matar um ou dois bandidos.

Era parecido com ter uma namorada. Se a tratasse muito bem, ficaria mimada, se a tratasse mal, ficaria ainda mais mimada. No final, o cerne do problema era ser a parte mais fraca da relação.

Por existir uma parte mais fraca, a relação não era completamente equilibrada, então qualquer coisa feita podia ser a errada, assim era o amor. E também era assim que os Cauchy eram diante da tribo Kent. Por serem fracos, não tinham outra escolha a não ser resistir, mas não podiam exagerar.

Parado longe, Wang Yuan olhou para os guardas fugindo e pensou em um ditado que ouviu há muito tempo: Apenas o fraco precisa considerar o contexto geral, porque não conseguem suportar as consequências do status quo ser quebrado.

Ao mesmo tempo, os verdadeiramente fortes não precisam se preocupar com o contexto geral, porque eles mesmos criavam o contexto geral. Os Kent antigos criavam o contexto, então não prestavam muita atenção se matar os Cauchy desses jeito era irracional ou não. Ou se sobreviveriam se a comida fosse roubada. Ou se conseguiam aguentar ver suas filhas e esposas serem assediadas na frente de seus rostos.

— Todas as condições desfavoráveis são fruto da falta de poder. — Wang Yuan declarou lentamente.

Se fosse forte antes, conseguiria perceber as falhas na atuação do Sistema e teria mantido o seu papel de protagonista na Terra. Se os Cauchy fossem poderosos, a tribo Kent nem consideraria visitar o vilarejo, igual esse pequeno grupo de bandidos Kent nunca tinha considerado roubar o Reino de Interkam.

— E, agora, nós somos os mais fortes nessa relação com a tribo Kent. Por isso eles são o lado que é dominado. — Wang Yuan olhou para os bandidos Kent se aproximando e deu sua ordem.

A expressão de Comoros mudou ligeiramente e ele se virou para olhar o grupo de aldeões ansiosos. Cada um deles segurava um jarro amarrado firmemente com panos em seus braços, aparentando estarem intrigados e sobrecarregados. O antigo amigo de Comoros, que foi marcado como um pecador, também estava entre eles.

— O jarro com vocês contém uma maldição do grande Negary. Quando alguém for infectado por isso, irá contrair a praga e morrer. Portanto que vocês os arremessem nos Kent, devem conseguir atrair a maioria da atenção deles. — Comoros explicou: — Depois disto, a única coisa que precisam fazer é capturar o máximo de pessoas da tribo Kent que não foram amaldiçoadas. Elas se tornarão sacrifícios a Negary, quanto mais capturarem, mais recompensas receberão!

— Especialmente você. Se não conseguir capturar um sacrifício, você se tornará um. — Comoros disse ao seu antigo companheiro. Este foi o ato final de bondade de Comoros, se ele não conseguisse agarrar essa oportunidade, só podia culpar a si mesmo.

— Vão!

Ouvindo a ordem de Comoros, o grupo de oito pessoas avançou até a tribo Kent, cada um com um jarro.

Os membros da guarda estavam correndo freneticamente em seus cavalos, às vezes desviando de flechas. Eles não ousavam parar nem por um segundo, pois, se parassem, podiam ser cortados pelos bandidos que estavam os perseguindo ou mortos pelas flechas que vinham de algum lugar de trás.

A ordem que receberam era para atrair os inimigos até essa área, disseram que ali haveria reforços. Bem agora, cerca de vinte bandidos estavam na perseguição, cada um com um cavalo, uma espada longa e um arco e flecha.

— Hahahaha! Vou atirar na bunda de vocês! Correndo tão devagar, está querendo dar sua bunda pra mim!? — um dos bandidos riu, com o arco em sua mão atirou uma flecha sem hesitação e acertou a perna de alguém.

Ele ficou desorientado pela dor e caiu do cavalo. O homem tentou chamar por ajuda, mas nenhum de seus companheiros parou para pegá-lo. Vendo os Kent chegando mais perto e mais perto, tentou se arrastar.

Mas como uma pessoa ferida podia escapar dos Kent?

Esses bandidos rapidamente alcançaram o Cauchy ferido. Eles decidiram parar a perseguição por enquanto, já que os Cauchy pareciam não querer revidar nesse ano. A falta de resistência deles fez os bandidos não sentirem necessidade se apressarem.

O homem ainda estava se arrastando. Seu desejo de viver era intenso, mas não podia ser cumprido meramente pela intensidade, esse mundo não seria tão piedoso.

— Hahaha, pequeno Cauchy, você não tem pertences. Então, o gracioso eu deve ser benevolente e apenas roubar sua vida! — o Kent riu do fundo do coração.

— Não me mate, por favor, não me mate!! — o homem continuou a rastejar com catarro e lágrimas escorrendo pelo seu rosto, como uma minhoca que só desejava continuar a viver.

— Não precisamos pedir a permissão de uma formiga! — o bandido jogou alegremente um laço, acertando com precisão o pescoço do homem e incitou o seu cavalo a galopar até o vilarejo.

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Guarda-chuva Azul

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Obrigado pelo capitulo
★★★★★DIA 26.12.20 13h08RESPONDER
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