Capítulo #1: Espaço Bidimensional da Pintura

"Sinto muito em lhe falar, mas você tem câncer de pulmão. No entanto, se você se tratar, há chances de recuperação. Sua família sabe sobre isso? Sugerimos que você seja internado no hospital e receba tratamento!"

"Quanto tempo ainda tenho?"

"Você já o contraiu há algum tempo. Porém ainda tem…!"

Lu Zhiyu saiu em choque do hospital. Parecia irreal, como um pesadelo. As pessoas que passavam por ele pareciam estar em outro mundo, como se tivesse uma barreira invisível que o separava da realidade.

Ele não tinha nenhuma intenção de começar qualquer tratamento. Era um câncer — não havia sentido em gastar dinheiro para tratá-lo. Mesmo se fosse morrer, não queria morrer agonizando em uma cama de hospital, com tubos inseridos em seu corpo.

Desde de sua infância, os pulmões de Lu Zhiyu não eram saudáveis. Tossia frequentemente. Após, ter trabalhado na capital por alguns anos, sempre que havia fumaça, sua tosse iria ficar pior. Ele estava querendo sair da capital por um tempo, mas na época tinha atingido o auge de sua carreira, então deixou essa ideia de lado.

Recentemente, seus sintomas tinham piorado, entretanto, Lu Zhiyu tinha os ignorado. Ele não esperava que as coisas se desenrolariam desse jeito.

Após se demitir de seu trabalho, Lu Zhiyu comprou uma passagem de avião e voltou para sua casa, voltou para Jiangcheng. Ele nasceu lá, e sua casa era velha com sua própria entrada e quintal. Parecia muito moderna depois de algumas renovações, porém, como não havia moradores, o quintal atualmente parecia feio e sem vida.

Os pais de Lu Zhiyu tinham morrido há muito tempo e não tinha nenhum parente próximo. Ele também tinha perdido o contato com seus bons amigos do colégio após ter entrado no mercado de trabalho. Quando se encontrou com alguns deles depois de anos, os antigos amigos próximos tinham de tornado distantes e calculistas, diferente de antes. Algumas coisas eram melhores apenas como memórias. Quanto ao seus colegas de trabalho, eram amigáveis uns com os outros no escritório, mas Lu Zhiyu não conseguia mais abrir o seu coração com facilidade igual em sua juventude.

Após pensar um pouco nisso, Lu Zhiyu sentia que sua vida era sem sentido. Parecia que havia um padrão de vida, a qual tinha sido aplicado a milhões de outros, também foi imposto a ele. Além do incidente com o câncer, tinha vivido como um fantoche, manipulado pelas pessoas, sociedade e destino.

A casa esteve vazia por muito tempo e estava cheia de poeira. Após remover a capa dos móveis, começou a limpeza. Achou bastante velharias. Brinquedos, livros didáticos e desenhos apareceram, os quais trouxeram lembranças de sua infância.

'Hmmm, o que é isso?'

Ele tinha achado uma caixa de madeira vermelha e velha em uma estante da dispensa. Depois de abri-la, descobriu que tinha várias coisas dentro. Havia o distintivo de líder dos camponeses, uma placa de tinta e um livro vermelho. No entanto, o que mais chamou a sua atenção, foi um pergaminho branco. 1

O pergaminho era anormalmente branco e sem uma única mancha. A qualidade do papel era tão alta que brilhava como se tivesse sido banhado em óleo. Quando um papel já existe há muito tempo, a cor muda, e esse pergaminho aparentava ter sido deixado naquela caixa há um bom tempo sem nenhum cuidado, mas estava surpreendentemente bem cuidado.

Esses itens devem ter sido deixados pelo seu avô. Lu Zhiyu estava curioso para descobrir o que estava pintado no pergaminho. Ele o abriu lentamente na mesa da sala de estar, mas sua curiosidade logo se tornou em desapontamento.

O quê? Não tem nada!

Quando Lu Zhiyu estava prestes a fechá-lo, percebeu que havia um ponto preto no meio do pergaminho. Logo que olhou mais de perto, percebeu que era um pequeno gafanhoto. Lu Zhiyu soltou uma gargalhada

"Um pergaminho tão grande, e um gafanhoto tão pequeno foi desenhado nisso. Que gasto!"

Após dar uma olhada mais apurada, tocou o gafanhoto com sua mão. Neste instante, algo chocante ocorreu. Era como se sua mão tivesse entrado em outro espaço e ele sentiu algo.

Lu Zhiyu ficou chocado e tirou sua mão. Ficou ainda mais chocado ao ver o gafanhoto em sua mão. Exclamou surpreso: "Que porra é essa?"

Após soltá-lo, viu o gafanhoto imediatamente pular pela sala. Lu Zhiyu observou incrédulo. Voltando ao normal, olhou para o pergaminho. O gafanhoto que antes estava pintado tinha sumido.

Eu o tirei dali? Estava vivo?

Lu Zhiyu olhou para a pintura, então para o gafanhoto. Ele ficou de boca aberta e percebeu que tinha encontrado um tesouro.

Ele gostava de ler na internet. Na verdade, tinha o hábito de ler por uma hora toda noite, então não era um estranho em relação a essas coisas.

Uma fantasia se tornou realidade? Um item mágico que pode armazenar coisas? Um tesouro que pode abrir outro mundo?

Apesar de estar prestes a morrer, Lu Zhiyu não queria desistir de si, nem reclamar de nada. A vida tinha de continuar, especialmente quando seus dias estavam contados. Ele queria viver prazerosamente e estava eufórico para achar algum item deste tipo neste momento.

Lu Zhiyu passou alguns dias testando o pergaminho. Estava claro que havia um espaço nesta pintura. Contudo, era diferente do que tinha pensado primeiro. O chamou de "Espaço da Pintura".

A superfície do espaço era plana. De um ponto de vista científico, não era um espaço tridimensional, mas um bidimensional. Todas as coisas que entravam neste espaço iriam ser automaticamente seladas e transformadas em uma forma bidimensional. No entanto, após saírem desse espaço, iriam retomar à forma normal. Lu Zhiyu achou difícil de entender como tudo isso acontecia. Esta foi a sua primeira descoberta. Chegou a essa conclusão após colocar diversas coisas no pergaminho.

Sua segunda descoberta foi que, no mundo bidimensional, aparentava que o tempo não existia. Todas as coisas que o adentrava pareciam ter entrado em eterno descanso e, se fossem mantidas lá, continuariam do mesmo jeito.

A terceira descoberta foi que o espaço na pintura parecia rejeitar seres vivos. Lu Zhiyu tinha tentado colocar seres no espaço, mas não suportava os que eram muito grandes. Ele tinha posto uma galinha e um pato, porém foram despedaçados e sumiram. Lu Zhiyu suspeitava que a entrada do espaço não suportava o tamanho deles e os mandou para uma fenda dimensional. Contudo, quando colocou formigas, a mesma coisa não ocorreu. As formigas pararam de mover e foram seladas.

Ele achava intrigante o fato do tempo não existir em uma dimensão bidimensional. Se o tempo existisse, aquilo se tornaria um novo universo. O espaço na pintura seria mais importante, além de servir como um espaço de armazenamento.

A teoria da relatividade de Einstein tinha classificado o tempo como uma dimensão independente. De acordo com esta teoria, a humanidade devia estar vivendo em uma dimensão quadridimensional. No entanto, o homem era incapaz de observar a quarta dimensão, o tempo, então pertencia ao espaço tridimensional.

O mundo bidimensional era similar. Mesmo que ninguém conseguisse observar o tempo, ainda deveria existir e não desaparecer assim. Então, Lu Zhiyu decidiu observar isso de outra perspectiva e provar se era verdade ou não.

 

*1: Placa de tinta foi a tradução que achei para slab ink, que é um dos quatro tesouros do estudo chinês. Para saber mais: http://en.chinaculture.org/library/2008-01/22/content_80792.htm

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